O antropólogo, e ex-Presidente da ANPOCS, Otávio Velho, convidado da websérie Brasil Amanhã #29, traça as oportunidades que o ensino e a pesquisa em Ciências Sociais podem ter no contexto pós-pandemia do covid-19. Ele classifica como "pesadelo" o atual contexto brasileiro, no qual as Ciências Sociais foram elencadas como as principais vítimas do desmonte das políticas de educação, fruto da ignorância sobre o papel da Ciência básica na produção de conhecimento e de uma visão apenas de curto prazo sobre a aplicabilidade de pesquisas. Paradoxalmente, os holofotes também trouxeram maior reconhecimento e união de cientistas de todas as áreas, que se colocaram frontalmente contrários às perseguições — e que têm a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) como uma das entidades protagonistas dessa resistência. O momento, afirma Otávio Velho, é de pensar a retomada pós-pandemia como um momento de reconstrução, de repensar as condições do trabalho científico, de manter a aliança fortalecida hoje, e de defender a interdisciplinaridade e o diálogo com os reais problemas sociais do Brasil como basilares para a Ciência nacional.

Otávio Guilherme Cardoso Alves Velho é bacharel em Sociologia (PUC-Rio), mestre em Antropologia Social (UFRJ/Museu Nacional) e doutor pela Universidade de Manchester. Professor Emérito da UFRJ, é também pesquisador Emérito do CNPq, presidente de Honra da SBPC, membro titular da Academia Brasileira de Ciências e membro do Conselho Diretor do Projeto Ciência Hoje. Foi professor visitante da Universidade de Stanford e, entre outras atividades, integrou o Conselho Técnico-Científico da CAPES, o Conselho Superior da FAPERJ e o Conselho Gestor do PROSUL. Foi vice-presidente da SBPC (2007-11) e membro do Conselho Superior da CAPES (2008-14).

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