ANPOCS. Gestão 2019-2020

                        São Paulo, 13 de março de 2020.

Caras(os) Colegas dos Programas filiadas(os) à ANPOCS


Neste início de mais um ano acadêmico e do segundo de nossa gestão, compartilhamos uma síntese das atividades que já realizamos, dos principais desafios que enfrentamos em 2019 e de nossas propostas para 2020.

Iniciamos nossa gestão em 1º de janeiro de 2019, em um momento de muitas incertezas políticas e acadêmicas e, apesar de crescentes dificuldades, demos continuidade às ações em que a identidade da ANPOCS se alicerçou nas últimas décadas: o Encontro Anual, as publicações e os concursos.

 

43o Encontro Anual em Caxambu.

Embora não tenhamos recebido os tradicionais recursos do CNPq e da FAPESP, o que fez com que só contássemos com os apoios da CAPES, do IPEA e da Fundação Ford, mantivemos inalterados os valores das taxas de inscrição de 2018 e inclusive implementamos um desconto de 10% para participantes das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste (exceto o Distrito Federal). Mantivemos essas decisões inalteradas em relação ao 44º Encontro que será realizado em setembro próximo.    

Em relação aos custos do 43o Encontro, em 2019, conseguimos reduzi-lo quase à metade do que havia sido gasto, em 2018, no 42o Encontro (na casa dos setecentos mil reais),  principalmente em função de muitas negociações com prestadores de serviços e à diminuição do número de colegas financiadas(os) pela ANPOCS, o que nos faz, mais uma vez, agradecer a todas(os) que participaram com recursos próprios e/ou de seus Programas e bolsas.

Demos continuidade à articulação com a sociedade civil de Caxambu, iniciada na gestão anterior, mantendo o convênio voltado para a prevenção de violências e firmamos um novo convênio com a Secretaria da Educação que fez com que dezenas de estudantes do Ensino Médio de Caxambu participassem de atividades da Comissão de Imagem e Som (COMIS).

Um compromisso com ações afirmativas na ANPOCS foi assumido tanto mediante o lançamento de um edital, apoiado pela Fundação Ford, que permitiu a presença e participação de 12 estudantes negras e trans, quanto por meio de conferências, mesas-redondas, simpósios e atividades especiais sobre relações raciais, privilegiando a participação de pesquisadoras(es) negras(os).

Demos apoio à proposta da criação do Fórum de Cursos de Graduação em Ciências Sociais, que se reuniu pela primeira vez em Caxambu e constituiu uma pauta de atividades que terão continuidade no 44a Encontro.     

Para aceitarmos mais Simpósios Temáticos (STs) do que nos últimos Encontros, tanto devido à qualidade das propostas recebidas quanto para ampliarmos a participação e o engajamento de uma comunidade que cresce a cada ano, reformulamos a grade de horários, o que fez com que coincidissem alguns STs com Simpósios de Pesquisas Pós-Graduadas (SPGs) e Mesas Redondas (MRs). Infelizmente, isso gerou alguns problemas que certamente não se repetirão no 44º Encontro, pois devido à impossibilidade de haver mais espaços em Caxambu e às muitas demandas de nossa comunidade para a realização do Encontro Anual em um lugar mais acessível, o 44º Encontro se realizará na Universidade Federal do ABC, em São Bernardo do Campo, entre 8 e 11 de setembro. Frente a outras possibilidades estudadas na região metropolitana de São Paulo, a UFABC se fez a melhor, dadas as suas ótimas instalações, o recesso escolar em setembro e as redes de transporte e hoteleira disponíveis.


Publicações

Mantivemos a periodicidade e a qualidade da Revista Brasileira de Ciências Sociais que recebeu 240 artigos e publicou 37, além de 17 resenhas em 2019. A RBCS passou por reformulações importantes, recrutando novos editores de área, apostando em cientistas jovens, mulheres e de universidades fora dos eixos tradicionais. Mantendo a qualidade da avaliação duplo-cega, conseguimos reduzir significativamente o tempo de tramitação dos textos submetidos, o que pretendemos aprimorar ainda mais em 2020. Esforços de editores anteriores e da atual gestão foram reconhecidos com a classificação A1 da revista na avaliação intermediária da CAPES em 2019.

Iguais esforços foram empreendidos na gestão da BIB. Novamente uma equipe de mulheres e jovens cientistas investiu tempo e talento, colocando a revista em dia e garantindo um fluxo contínuo de revisões bibliográficas de qualidade. A revista passou a tramitar as submissões por uma plataforma eletrônica (OJS) e está empenhada para, o quanto antes, ser incluída no Scielo.

Lamentavelmente, os cortes de financiamentos na área acadêmica também impactaram a RBCS. Devido a urgentes reestruturações econômicas, que relataremos no último item, Mirian Silveira, que trabalhou por quase duas décadas como secretária, muito conhecida entre autores(as), pareceristas, revisores(as), tradutores(as) e editores(as) por sua dedicação e cordialidade, teve que ser desligada da equipe administrativa da ANPOCS


Concursos

Recebemos 46 teses, 49 dissertações e 9 obras nos Concursos de 2019, o que envolveu um grande número de colegas especialistas emitindo pareceres, além da comissão julgadora que foi composta por representantes das três grandes áreas das ciências sociais vinculados(as) a diversas universidades de todo o país.

Como nos demais anos, coube à Comissão Acadêmica, composta pelas professoras Bela Feldman Bianco (UNICAMP), Celi Pinto (UFRGS) e Maria Stela Porto (UnB) a avaliação da melhor obra científica. Neste ano de 2020, implementaremos algumas inovações, como premiar, separadamente, obras inéditas individuais, coletâneas com vários autores(as) e/ou republicações de artigos de um(a) mesmo(a) autor(a).

Visando a tornar mais transparentes os critérios de avaliação e a valorizar a produção científica dos Programas de Pós-Graduação de todo o país, o concurso deste ano trará algumas inovações.           

Articulação e representação política

Uma de nossas principais atividades políticas foi participar da criação do grupo denominado A4: Articulação das Associações de Ciências Sociais – ANPOCS, ABA, SBS e ABCP, com vistas ao enfrentamento articulado dessas associações diante de graves retrocessos no campo das políticas científicas e de educação no Brasil. Este grupo, em 2019:

a)    Firmou um Termo de Cooperação com a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão, PFDC, visando ao acompanhamento e enfrentamento de denúncias de violências às Ciências Sociais, à proteção e garantias da liberdade docente, do aprendizado, ensino, pesquisa, expressão e divulgação do pensamento científico.
b)    Participou de duas audiências públicas na Câmara Federal, apresentando um documento sobre a situação da Pós-Graduação em Ciências Sociais, Antropologia, Sociologia e Ciência Política no Brasil;
c)    Manteve-se articulado com a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, SBPC, participando ativamente de sua Reunião Anual, em Campo Grande, e de atividades como a Marcha pela Ciência, em Brasília, além de outras mobilizações estaduais e do Fórum de Ciências Humanas;
d)    Apoiou a eleição da socióloga Fernanda Sobral (UnB) à vice-presidência da SBPC e comemorou a premiação da socióloga Alice Rangel de Paiva Abreu, ex-secretária geral da ANPOCS, na primeira edição do 1º Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher;
e)    Produziu e assinou mais de uma dezena de      cartas, manifestos, documentos de protesto contra medidas e ataques governamentais às Ciências Sociais e Humanas e a retrocessos nos campos da ciência, tecnologia e educação;
f)    Representou as Ciências Sociais brasileiras em congressos, seminários e aulas inaugurais de Programas de Pós-Graduação nacionais e internacionais;
g)    Fez vários contatos com fundações internacionais e embaixadas para a obtenção de futuros apoios financeiros.

A ANPOCS também teve importante presença em Conselhos de áreas como as de gestão da Internet, arquivos e junto ao Conselho Mundial de Ciências Sociais.

Por fim, a Associação renovou sua fundamental parceria com a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e garantiu a permanência de sua sede administrativa nas dependências do Conjunto Didático de Filosofia e Ciências Sociais, para o que contou com o especial apoio da Professora Maria Arminda do Nascimento Arruda, diretora da FFLCH, a quem reiteramos o nosso agradecimento.


Gestão financeira

    Importa esclarecer que as despesas de manutenção da estrutura administrativa da ANPOCS são pagas com recursos oriundos das anuidades dos Programas filiados e das inscrições de trabalhos nos concursos, além de eventuais saldos das reuniões anuais.

 Ao assumirmos a direção, encontramos um déficit significativo entre a arrecadação desses recursos e o que se fazia necessário para arcar com os salários, obrigações trabalhistas e planos de saúde de três funcionários e de uma funcionária, valendo lembrar que nenhum membro do Conselho Diretivo, da Diretoria, de Comitês e Comissões da ANPOCS recebe qualquer verba de representação.

Logo constatamos a necessidade de, além de cortar todo e qualquer tipo de gasto com viagens de membros do Conselho Diretivo em função de convites para representar a Associação, também diminuirmos todos os custos fixos. Isso nos fez alterar, no início de 2019, o contrato com duas empresas (uma de contabilidade e outra que gerenciava o site da ANPOCS) e nos levou a migrar os dados da Associação para um serviço de nuvem, a fim de preservá-los de riscos físicos (incêndios, quebra de equipamentos etc) e de repactuarmos custos operacionais de manutenção de informática. Além disso, solicitamos uma avaliação jurídica da conformidade do nosso estatuto à legislação vigente.

Frente à impossibilidade de garantirmos a folha de pagamento dos quatro funcionários fixos da secretaria, dispensamos, em maio de 2019, o que tinha o menor salário e menos tempo de serviço na ANPOCS. Com o apoio do Conselho Fiscal, contratamos uma empresa de auditoria independente para um estudo da conformidade dos nossos balanços às regras brasileiras de classificação contábil e para a projeção da capacidade econômico-financeira da ANPOCS a partir de 2020. Este trabalho está em curso e, tão logo seja concluído, seus resultados serão compartilhados com todos os Programas filiados.

Apesar de todos estes esforços e das economias realizadas em 2019 , conseguimos um saldo positivo na conta corrente da ANPOCS apenas suficiente para manter os gastos fixos da secretaria até janeiro último.

Infelizmente, diante desse quadro financeiro, a folha de pagamento de pessoal continuou em déficit e, após o 43º Encontro, tivemos de tomar a dura decisão de desligar, em fevereiro de 2020, a funcionária que atuava no setor de publicações, como já relatado acima.

Desde o início de 2020 se fez necessário o uso do fundo de reserva da ANPOCS para o pagamento das despesas correntes administrativas. A existência desse fundo se deve ao empenho de administrações passadas que, em tempos menos sombrios para as Ciências Sociais, conseguiram economizar recursos, todavia, ele é bastante limitado, de modo que, é fundamental que todos os Programas filiados regularizem o pagamento da anuidade de 2020. Lembramos que é também imperativo que os Programas filiados inadimplentes coloquem em dia o pagamento de anuidades atrasadas, pois se não houver este compromisso coletivo com a sustentação financeira da ANPOCS, em pouco tempo não teremos como manter as atuais despesas que, mesmo bastante reduzidas, seguem consumindo a maior parte dos recursos que nos restam.
                  
A continuidade da ANPOCS, como uma associação de referência acadêmica no campo das ciências sociais e uma instituição empenhada com a defesa institucional das nossas áreas depende, como nunca, do engajamento de todos os Programas filiados, de novas filiações e de cada um(a) de vocês. Portanto, além de esperarmos uma forte participação de todos os Programas, através de envio de propostas de atividades (GTs, SPGs e MRs) para o próximo Encontro Anual, aguardamos retornos e sugestões que nos permitam prosseguir, até dezembro deste ano, cumprindo, da melhor maneira possível, o papel que nos foi atribuído e que depende de um reiterado compromisso coletivo.

Esperamos ter conseguido compartilhar um pouco do muito que temos feito para manter a ANPOCS como uma entidade dinâmica, nacional, plural e empenhada em acolher e articular os mais diversos Programas brasileiros de Pós-Graduação em Ciências Sociais.

Agradecemos o apoio e a parceria e nos colocamos à inteira disposição para fornecer detalhes do que apresentamos neste documento.

Muito cordialmente.

Miriam Pillar Grossi – Presidente
Ana Lúcia Pastore Schritzmeyer – Secretária Executiva
Renato Sérgio de Lima – Secretário Adjunto
Bruno Wilheim Speck – Diretor de Publicações